Poema Vai, de Rosane Castro

Há tanto susto nos seus olhos redondos, moça,
um ponto de interrogação no meio de sua testa,
parênteses nos cantos de sua boca.
Umas mãos magras deslocadas sem saber onde tocar,
reticências em volta de sua juventude.
Menina, fosse eu sua mãe, seu orientador,
a moça que faz mechas em seu cabelos…
fosse eu sua prima do interior, o barman performático,
a cartomante charlatã do bairro,
eu diria: vai, entregue-se pra’quela moça,
dancem juntas e andem de bicicleta,
bebam de vez em quando,
ensine a ela suas artes, façam tatuagens complementares,
depois venha aqui, tarde qualquer, me contar sobre seus beijos
como se fossem os mais triviais dos dias.

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