Poema de Nelson Ferraz

 

.

 

do vulcão veio a larva

e a papoila-dos-ventos.

 

era o tempo do céu vazio

e do mar envidraçado pelo zero.

 

a larva sentou-se

na pedra-pomes perto

 

sentiu a alma porosa

deixou cair o coração

e fez-se para sempre

homem.

 

choveu fogo entre estações

e os comboios passaram a andar

carregados e devagar.

 

afinal havia tempo

demais para o desastre de viver

numa tela contrafeita.

 

no gavetão do meio

entre a boca aberta

e a cabeça fechada à chave

a água foi sempre

uma companhia feita de lápis.

 

e não

não foram as lulas gigantes que afogaram

o armário dos disfarces.

 

.

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