Expansão, Poema de Patrícia Porto

Expansão

 

as perguntas que não sei responder
as perguntas que esqueci de fazer
as respostas que estoquei
as senhas infringidas
os sopros tomados de supetão
as perguntas e guerras
os acentos, os antolhos

tenho uma queda pela ternura
tenho uma queda por aparelhos de medição

a matemática do sentimento
pela eutanásia da palavra

cheque seus equipamentos, por favor
:há falta de ar suficiente para os passageiros?

esse trem parte pra onde, condutor?
pedi a Deus um bocado de ambição,
recebi um santinho para colocar na carteira

“eu vou rezar por você”
“eu vou pedir por você”

ooh muito obrigada, a sua solidariedade me comove
estou encharcada de raiva, mas é só suor

na fábrica de calcinhas revistavam nossas bolsas,
mas deixavam nossas mentes livres

uma gramática meticulosa: “vou pensar em você”

o trem partirá e é espacial
não acredito em astrologias, prefiro a astronomia
os acidentes do espaço
a geometria do verbo

“vou passar a mão na sua cabeça”

não, agora não
preciso partir naquele trem
soube que explodirá em breve
ando com uma leve de dor de lobotomia

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